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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

pré-publicação

segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Setembro

S.’ya


Ben artık şarkı dinlemek değil,
Şarkı söylemek istiyorum.
Nazim Hikmet



yavaş yavaş

lentamente ainda
faz sentido escrever há sentidos no verbo
qualquer coisa
estou a caminho sem juízo

o movimento:
desaceleração

sem travagens sem ABS ou outro sistema qualquer
só o teu corpo que demora
e a mão que espera


a mulher que não gostava de rock

fazia colecção de sons e outras impressões
visuais também
ela
dançava perto de mim
sorria abria os braços e o corpo perto de mim
tudo se passa de noite e eu estarei a dormir
a meio de um sonho
colecciono-os eu
beijava-me e dizia-me
a boca no meu ouvido
que não gostava de rock


return to sender

prometes a manhã o desejo
e acordar
na cama os lençóis
não estão sozinhos

o sol neste quarto
só quando respiras
mais forte
e sei que estás a chegar
acordamos cansados e queremos mais
um regresso a casa


in Callema 07, Novembro 2009 - publicação semestral da Cooperativa Literária


ankara, setembro 2009
M. Tiago Paixão

sexta-feira, 17 de abril de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009
A primeira célula e a célula antes
a primeira sílaba e a sílaba antes
a passagem da palavra potencial a cinética
pela mão inicial
génese
pela força invencível da mão inicial



in Más Intenções
Paris, 2008
M. Tiago Paixão

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Soğuk Beyaz Bir Dokunuş

quinta-feira, 2 de abril de 2009
I

Sayfa her keresinde biraz daha beyaz
yağmur gibi
kokusu yağmur tadında soğuk tadında
kristal bulut
taşı sarıp sarmalayan bulut
düşmeyen taş kalan kök
yağmurun geçmişi
bedenimle
yağmurda geçirdiğim zaman
taştan bedenler sözü edilmeyen kollar ve ötekiler
benimkiler tutulmuş
onları gevşetmek ya da serbest bırakmak
ya da serbest bırakmak için
harcadığım güç?
kollarımı mı yağmuru mu taşı mı?
ağaç da olabilirdi bu
belirsiz dokunuşlarla ıslanmış insanlar
burada beyaz onlar beyaz
(erimiş dokunuşların baskısı altındaki insanlar)
sayfanın beyaz olduğu gibi o ne söylerse söylesin

belleğin tersi


II

beyaz bir koridor var. ya da siyah. giderek
uzaklaşabilir. art arda bir dizi
olay
hastane soğuğu dolu sonu gelmeyen boşluk.gece
vakti. ya da öğle. pencere olmadığı için
ya da bu duvardaki bütün fotoğraflar
soyunmuş pencereler. ya da hafif bir rahatsızlık
ya da tek pencere. durağan hali dünyanın
kargaşadan sonra.


III

hayalinde canlandırmak
demek bu ve bu gerçek
yağmur demiyorum ıslanmadan
ve adın sen beni öpmeden
ben seni burada beklerken
yağmuru görebiliyor musun?
gök yürür renkler değişirken
ben hâlâ oturmuş
bekliyorum

üşüyorum
(daha önce söyledim sana ne kadar üşüdüğümü)
çok daha fazlasını görüyorum buradakilerin
hepsinden
(söz ettim sana korkudan ve baş dönmesinden)

öteki yanı çevir bir başka yanı var ben
yazarken
bir eski görüşe terk ediyorum tavanları evleri
unutup ölü grameri masanın üzerinde
daha sonra döneceğim sesinin bana ulaşan sedasına

(ağzından gelen bulutlar ve sonu olmayan o nehir)

in Cümle Frase #01
M. Tiago Paixão
tradução: Cevat Çapan

segunda-feira, 9 de março de 2009

s. ç.

segunda-feira, 9 de março de 2009
há qualquer na tua boca no mover dos teus lábios quando
nessa língua ponte entre nós dizes a língua e outra qualquer coisa
quando dizes a tua boca original a mesma que tantas vezes me dás
no mover de ti e no ondular do som da tua voz quando estou sobre ti
ou tu sobre mim e este poema sobre ti e tantas vezes nunca são
muitas vezes na tua língua
a palavra tem o som da tua voz
em qualquer boca até
na minha
pronúncia atrapalhada até para dizer o teu nome e há qualquer coisa
nesta ponte que fazemos que estendemos em tapete futuro
qualquer coisa metálica e quente uma espécie de fundição no
mover dos lábios para tanto no mover de ti


in dost
Ankara, 2009
M. Tiago Paixão

terça-feira, 28 de outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008
para a Serra *






this is real.
memory fuses and shatters like glass
mercurial future, forget the past
R.E.M.


encontro-me com a ambiguidade na Berck-Plage de uma amiga recente
(logo no primeiro verso. vês com é fácil este exercício?)
ouço o eco da minha saudação eufórica
dizes-me que é este mar que vejo que possuiu o rio
(estás junto a mim. naturalmente a tua mão orienta a minha para o lado direito)
falas da imensidão da força da maré do vento
tudo faria sentido se eu não sentisse ao contrário
(seguro na tua mão que me segura)
digo-te Tejo. digo-te o momento – só isso importa
o encontro é uma posse única e partilhada
(as nossas bocas são só uma boca)


M. Tiago Paixão
(fotografia: faded dıstance, Saint-Malo, França, 2008. M. Tiago Paixão)

terça-feira, 8 de abril de 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008
Variação a duas vozes


Num gesto como este
Imobilizante e em perpétuo movimento
Chamemos-lhe poema e
Façamo-lo juntos
M.TIAGO PAIXÃO


Acordemos
a pétala adormecida de cinza no chão de um
dia que é noite de
quarto
crescente,
mal-me-quer onde nunca nos tocámos
porque como tu gritaste nessa noite:
“nunca nos tocamos.”
E
pensá-la agora é um mergulho
nas noites asfixiantes d’ontem.
Cai no não-passado acontecido
feito presente por acontecer.
É o peso da morte arrancada em flor
no jardim da nossa casa, e onde
a minha vontade por dizer
que a tua
consciência da perda silenciosa
é o meu
silêncio confortável
embebido num banho,
reconfortante cor de prata,
em que insistes afogar-te… e…
é a boca de uma gata que não se dá
quando nos procuramos nos perdidos-e-achados do jornal.


João Tibério

(obrigado!)

quarta-feira, 26 de março de 2008

quarta-feira, 26 de março de 2008
o plano que também podia chamar-se An end has a start como a música dos Editors






o meu plano é amar-te assim assim sempre mesmo o meu plano é este
vive na linha de cima deste poema no andar de cima desta casa
nesta cama onde estou sentado para depois de me deitar e depois
os versos que parecem infantis
parecem sem morte que ponha fim ao meu plano e
à necessidade de fazer planos para não os concretizar e para viver
assim assim mesmo o meu plano é a esta hora sempre
é este e no andar de cima ao andar por este quarto os versos desta cama
são lençois e concretizam o teu corpo imaginado nesta cama onde
sem morte para viver na linha de cima deste poema a esta hora
onde estou sentado os versos parecem infantis parecem
o meu plano ao andar imaginado
não é planeado é contruído e movimento e depois
fazer planos para não os concretizar e é amar-te
para viver assim assim são lençois e movimento construído a esta
hora



Paris, 26 Março 2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008









e o poema

beresith ou o início de
outra vez tudo
nem sempre

desaproximação e regresso

simples:

a regularidade da maré a incerteza do vento o brilho do sol pelo filtro UV
a velocidade do asafa powell e todos os títulos falhados depois e antes do record
excesso de velocidade e todas as tentativas partilhadas

beresith ou o príncipio antes do
e o poema a ser era de vidro por transformar
quando te encontrar sei que tudo se iluminará

01 de Janeiro de 2008
M. Tiago Paixão






fotografia: e o poema a ser, Casa do Alentejo, Lisboa, 2007
© 2007 M. Tiago Paixão

música: Há amores assim, Música para ser humano, Donna Maria, 2007 (letra: Miguel Majer)
 
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